Se averiguarmos um pouquinho nos termos o que é “esquizo” e o que é “análise”, esquizo é como o Clinâmen de Epicuro e de Lucrécio. Esquizo é um elemento sempre desviante do ideal, sempre desviante do fim. Mas não porque ele é desviante em essência, não porque ele é perverso em essência. É porque o desviante é a própria afirmação do desejo, a própria afirmação da potência em ato que nós somos.

Quando afirmamos a potência, a nossa potência se diferencia. E quando ela se diferencia, ela não está simplesmente se distanciando de um ideal: ela está se diferenciando de si mesma.

Esquizo é neste sentido: esquizo é o que não tem centro ou identidade. Que não precisa da identidade, exceto simulada. Não precisa de um Eu formatado, estruturado, bem fundado, porque não há Eu bem fundado. Todo Eu é uma fraude. O desejo não carece de tornar-se sujeito, assim como ele não carece de objeto. Este é o aspecto do esquizo.

E “análise” porque é preciso, sim, analisar esse desejo na imanência e perceber como ele cai, como ele é capturado.

Um esquizoanalista, então, é aquele que é capaz de pensar o acontecimento do próprio desejo e quando o desejo é capturado ou sabotado e perde a relação com o devir e com o acontecimento. Nesse momento mesmo, ele também vira refém de outra coisa. Ele vira dependente. Ele perde a liberdade real. Ele perde o seu campo de imanência. Ele perde a relação direta com a fonte.

Então eu posso, sim, dizer que eu pratico uma esquizoanálise. Agora, ser um esquizoanalista é mais uma máscara, porque não importa o que somos, qual medalha ou qualidade conquistemos. Importa o que podemos.

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